O silêncio dos atabaques? Arte pública de matriz africana e memória topográfica em perspectiva

Clovis Carvalho Britto

Resumo


O artigo discute as tensões existentes em torno da arte pública de matriz africana no Brasil. Visualizando as categorias memória topográfica e arte pública, analisa as estratégias de silenciamento como uma forma de poder e de produção de significados no campo dos patrimônios e comemorações. Citando diferentes exemplos, demonstra como a destruição da arte pública relacionada a essas expressões culturais se torna metáfora e metonímia do racismo e da intolerância religiosa na “batalha das memórias” que fabrica e imortaliza saberes, expressões, celebrações e lugares significativos para a memória nacional e local.

Palavras-chave


Arte pública; memória topográfica; arte afro-brasileira.

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, Jorge Luís Sacramento de. Ensino/Aprendizagem dos alabês: uma experiência nos terreiros Ilê Axé Oxumarê e Zoogodô Bogum Malê Rundó. Tese (Doutorado em Música), Universidade Federal da Bahia, 2009.

BARCELLOS, Vera Chaves. Arte pública: um conceito expandido. In: ALVES, José Francisco (Org.). Experiências em arte pública: memória e atualidade. Porto Alegre: Artfólio e Editora da Cidade, 2008

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BENJAMIN, Walter. Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BOLLE, Willi. Fisiognomia da metrópole moderna: representação da história em Walter Benjamin. 2. ed. São Paulo: EdUSP, 2000.

CHOAY, Françoise. Alegoria do patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade: UNESP, 2001.

CORREA, Marina de Castro Novena. “O Cadê o Pai Juá?”: breve análise etnográfica sobre um processo de silenciamento em Laranjeiras –SE. Trabalho da disciplina Antropologia nos Museus, Universidade Federal de Sergipe, Laranjeiras, 2014.

DANTAS, Beatriz Góis. Vovô Nagô Papai Branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

FONSECA, Maria Cecília Londres. O patrimônio em processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: UFRJ/MinC-IPHAN, 2005.

FREIRE, Cristina. Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo. São Paulo: Annablume, 1997.

KOFES, Suely. Uma trajetória em narrativas. Campinas: Mercado de Letras, 2001.

KOHLSDORF, Maria Elaine. A apreensão da forma da cidade. Brasília: Editora UnB, 1996.

´

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2003.

MASAFRET, Ivan. Tempos, espaços e trajetos: arte pública institucionalizada em Aracaju. In: MASAFRET, Ivan (Org.). Artes visuais Sergipe: conexões 2010. Aracaju: Sociedade Semear, 2010.

NOGUEIRA, Léo Carrer. A hierarquização religiosa no espaço urbano - o caso das Religiões Afro-Brasileiras. 14º Encuentro de Geógrafos de América Latina, Lima, 2013.

ORLANDI, Eni. As formas do silêncio no movimento dos sentidos. 6 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007.

PASSOS, Lucas Santos; NASCIMENTO, Maíra Ielena Cerqueira. Aracaju entre o pretérito e o porvir: os bens tombados de Aracaju. Anais Eletrônicos do III Seminário Internacional de Políticas Culturais, Rio de Janeiro, 2012.

PERROT, Michelle. As mulheres ou os silêncios da história. Bauru: Edusc, 2005.

SANSI, Roger. Fetiches e Monumentos. Arte pública, iconoclastia e agência no caso dos “Orixás” do Dique de Tororó. Permanente, v. 1, n. 1, 2012.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Antimonumentos: trabalho de memória e de resistência. Psicol. USP, vol. 27, n. 1, 2016.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Testemunho da Shoah e literatura. X Jornada Interdisciplinar sobre o Ensino da História do Holocausto, São Paulo, 2009.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: Significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo. Mana, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, 2007.




DOI (PDF): http://dx.doi.org/10.18224/mos.v9i2.4940.g3005

Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição Sem Derivações 4.0 CC BY-NC-ND


MOSAICO | Mestrado em História | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | ISSN 1983-7801 | Qualis B3