Educativa

A revista Educativa, com periodicidade quadrimestral, é editada pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, destina-se à publicação de estudos acadêmico-científicos, objetivando o intercâmbio de ideias e a ampliação do conhecimento no âmbito da Educação. A Educativa está aberta à publicação de trabalhos inéditos que tomem como objeto de suas reflexões o estudo do fenômeno educativo, tendo como referência fundamental os seguintes eixos: teorias da educação e processos pedagógicos; história da educação, estado, instituições e políticas educacionais; sociedade, educação e cultura. As seções editorias da educativas são: Artigos Temáticos – destinada a publicação de trabalhos de diferentes concepções sobre uma mesma temática, visando difundir a produção decorrente de demandas contínuas do debate educacional; Temas em Debate – oferece espaço editorial para trabalhos que contemplem a diversidade temática do campo da Educação; Ponto de Vista – divulga trabalhos com diferentes formatos, visando atender à demanda contínua do debate educacional sobre temas atuais, polêmicos ou emergentes. Está indexada no BBE/CIBEC/INEP, no Latindex e no Indice Bibliográfico Clase, Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades, Universidad Nacional Autónoma del México. Qualis B2 ISSN online: 1983-7771 | ISSN impresso : 1415-0492

v. 19, n. 1 (2016)


Capa da revista

ROLDÃO LOPES DE BARROS, filho de José Lopes de Barros e de D. Gertrudes Ferreira de Souza Barros, nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1884* . Iniciou seus estudos aos cinco anos de idade e, embora tenha sido afastado da escola temporariamente com o falecimento de seu pai, em seu processo de formação destacou-se pela inteligência e autodidatismo o que lhe permitiu aprender diversos idiomas e obter prêmios de mérito intelectual enquanto cursava a escola normal, no atual Instituto de Educação Caetano de Campos – SP. Ao concluir o curso normal foi nomeado para a cadeira de Pedagogia na Escola Normal da Praça. Formou-se em Direto, atuou como jornalista, trabalhando na "Tribuna de Santos" e no "Correio Paulistano de São Paulo", mas sua vida profissional foi dedicada ao Magistério.
Roldão Lopes de Barros, segundo Costa (2007), correspondeu com renomados especialistas em educação, europeus e norte-americanos e as ideias renovadoras que surgiam desse intercâmbio aproximou-o de intelectuais brasileiros que desejavam promover mudanças na educação então vigente: Fernando de Azevedo, Antônio Sampaio Dória, Manuel Bergström Lourenço Filho, Noemy da Silveira Rudolfer, Oscar Freire de Carvalho, Renato Jardim e tantos outros. Organizou a Escola Normal Padre Anchieta, publicou revista especializada em educação que teve como editor Monteiro Lobato, lecionou no Liceu Franco Brasileiro, nos Colégios Santo Agostinho, Santa Inês e Dês Oiseaux. Foi fundador, diretor e professor do Colégio Rio Branco. Também fundou o Colégio Pedro de Toledo e o Orfanato Ana Rosa.
Ainda segundo Costa (2007), ao dirigir e organizar o Orfanato Ana Rosa, Roldão de Barros pôs em prática suas ideias adquiridas no contato com as produções intelectuais dos defensores da Escola Nova. Instalou, nesse Instituto de Menores, um regime de portões abertos onde a criança não se sentia aprisionada. Sempre se preocupou em dar completa assistência aos alunos pobres e procurou lhes dar oportunidade de aprenderem uma profissão. Para tanto criou oficinas de encadernação, douração, sapataria, marcenaria e também montou uma gráfica com seus próprios recursos. Embora autodidata, revelou-se profundo conhecedor dos movimentos no campo educacional e, em especial, da Psicologia. Prof. Roldão lecionou essa disciplina tendo como referência, as ideias de William James, Claparede, Pieron, Dewey .
Em 1931, por Decreto Estadual, a antiga Escola Normal da Praça passou a denominar-se Instituto Pedagógico. Em 1933 o Instituto Pedagógico foi transformado em Instituto de Educação que, no ano seguinte, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, foi incorporado na Universidade de São Paulo. Os estudos de Administração Escolar, Legislação Escolar e Educação Comparada foram iniciados nessa instituição sob a orientação de Roldão Lopes de Barros. Foi o primeiro Titular da Cadeira de História e Filosofia da Educação cargo que ocupou até sua aposentadoria e foi, também, Diretor substituto da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
A então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras o homenageou com o Título de Professor Emérito e o Centro Universitário de Estudos Pedagógicos (até 1980), ambos da USP, como também a Escola Estadual de Vila Mariana, passaram a identificar-se pelo nome desse educador. Na Academia Paulista de Educação uma de suas cadeiras tem Roldão Lopes de Barros como Patrono. Uma rua da Cidade de São Paulo também a designou com seu nome.
De acordo com Bontempi Júnior (2007, p.88), “Como membro da Sociedade de Educação, que publicou, de agosto de 1923 a dezembro de 1924, a Revista da Sociedade de Educação, Lopes de Barros alinhou-se entre os que defendiam o método analítico de ensino da leitura, repudiavam os "receituários técnicos" oferecidos aos professores primários pela Revista Escolar e afirmavam-se adeptos da "pedagogia científica" e da ideia de promover, no ensino e nos impressos a ele destinado, elementos para uma formação cultural adensada e de escopo geral para o magistério”. Em 26 de julho de 1923, na quarta sessão ordinária da Sociedade de Educação, Lopes de Barros apresentou à entidade uma "proposta de se lembrar aos poderes públicos a possibilidade e as vantagens do arrendamento das terras pertencentes ao Estado, revertendo os lucros em benefício da instrução" (NERY, Apud BONTEMPI JÚNIOR, 2007, p. 89). No levante paulista de 1924 integrou a Polícia Municipal, em 1932 participou direta e ativamente da chamada Revolução Constitucional e, naquele mesmo ano, assinou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
Roldão Lopes de Barros faleceu em 1951, na cidade de São Paulo, onde nasceu.

NOTA
* Os recortes biográficos de Roldão Lopes de Barros apresentados na capa desta edição da revista Educativa foram extraídos de duas biografias deste signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, publicadas e disponibilizadas em periódicos especializados, conforme discriminado a seguir.
BONTEMPI Júnior, Bruno. O ensino e a pesquisa em história da educação brasileira na cadeira de Filosofia e História da Educação (1933/1962). História da Educação, ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas, n. 21, p. 79-105, jan/abr 2007 Disponível em: http//fae.ufpel.edu.br/asphe .
COSTA, Hebe C. Boa-Viagem A. Resgatando a memória dos pioneiros em psicologia: Roldão Lopes de Barros - Cadeira nº 25 (* 30/01/1884 - † 30/08/1951). Boletim - Academia Paulista de Psicologia. Bol. - Acad. Paul. Psicol. vol.27 no.1 São Paulo jun. 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1415-711X20070001&lng=pt&nrm=iso