DE GÊNERO, RELIGIÃO E MILITÂNCIA POLÍTICA: MULHERES METODISTAS E RESISTÊNCIA À DITADURA CIVIL-MILITAR NO BRASIL

Sandra Duarte de Souza, Anna Gabriela de Arruda Cerqueira Leite

Resumo


A resistência à ditadura civil-militar ocorrida no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980 tem sido contada especialmente como uma ação de homens que se mobilizaram contra o golpe e que arriscaram e, em muitos casos, perderam a vida nessa luta. A história política desse período disse muito pouco das mulheres, por isso as estudiosas feministas têm se empenhado na visibilização daquelas que participaram da resistência, que contestaram e foram reprimidas pelo regime ditatorial. Todavia, ainda existe uma dívida histórica para com as mulheres protestantes da resistência. Desafiando o senso comum de que as igrejas protestantes foram apoiadoras da ditadura, mulheres e homens de diferentes denominações se mobilizaram contra ela. Mais uma vez a história não fez jus às mulheres, e os registros sobre a resistência protestante contam tão somente da agência dos homens. O presente artigo objetiva apresentar a agência de mulheres metodistas na resistência à ditadura no Brasil. O que apresentamos aqui se construiu a partir da coleta de fragmentos históricos sobre a atuação de mulheres na resistência, e entrevistas com um homem e duas mulheres metodistas que experienciaram e sobreviveram às torturas do governo militar.

Palavras-chave


Mulheres; Metodismo; Ditadura Militar; Política.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/cam.v17i3.7756

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